sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ide roubar o caralho




Levem tudo. Mas levem tudo de uma vez! Não nos façam andar nesta morte lenta, de lápis na mão, a ver até quando ganharemos para comer. Acabe-se com este país de uma vez. Instaure-se definitivamente a escravatura. Escravizem-se os trabalhadores e dêem o que sobrar aos mercados. E já agora, custe o que custar acabe-se com a instituição família. Afinal para que servem as famílias? Façam-nas perder os empregos, os maridos, as esposas, os filhos, o lar e entregar a casa aos bancos. Afinal o que é isso comparado com o défice abaixo do 5%?

Não intervenham nos preços dos combustíveis, da energia, das telecomunicações e das portagens. Continuem antes a defender os accionistas da Galp, da Edp, da PT, da Brisa e Cª. Fechem-se as pequenas e médias empresas e despeçam-se os seus trabalhadores. Afinal para que é que elas servem comparadas com os grandes grupos económicos? Entregue-se isto a quarto ou cinco capitalistas chineses, árabes ou mesmos portugueses, desses que pagam os impostos na Holanda. Acabe-se com o emprego de uma vez. Institua-se o desemprego como valor nacional. Não se prendam por nós!

Acabem-se com os cursos superiores. Promovam-se os Relvas, os Varas, os Isaltinos e os Sócrates deste país. Acabe-se com o sistema nacional de saúde e com a educação. Privatize-se tudo!

Comprem-se mais submarinos e carros blindados para combater o povo nas ruas. Façam-se mais autoestradas, venda-se definitivamente o que resta da agricultura e das pescas. E já agora venda-se o mar à Alemanha e o céu aos chineses. Construam-se gigantescos freeport´s e paguem-se luvas… muitas luvas!

Aumente-se o número de deputados, de assessores e de outros boys. Comprem-se mais carros topos de gama para os ministérios, aumentem-se as regalias e os rendimentos desses finórios. Imponham-se sacrifícios, mas não a todos. Poupem-se os capitalistas dos offshores. Mas sobretudo não se esqueça de tributar os pobres!

Criem-se mais fundações e dêem-se-lhes mais uns milhões para que as grandes famílias aumentem os seus patrimónios.

Privatize-se tudo o que dê lucro. Aplique-se a cartilha neoliberal até não restar mais nada!

Promova-se ainda mais a promiscuidade entre deputados e grandes grupos privados. Aplique-se a TSU e dê-se milhões aos grandes grupos económicos instalados sem concorrência!

Promova-se uma justiça para  ricos e outra para pobres. Poupe-se à prisão essa quadrilha de ladrões que vive à custa dos partidos.

Roubem-nos tudo. E se ainda não estiverem satisfeitos, ide roubar para o caralho.

Mas fiquem descansados! Jamais nos roubarão a capacidade de sonhar!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O velho padre Gonçalves



Aquela hora e pouco parecia eterna. Era um suplício semanal. Vestido a rigor e impecavelmente penteado pela dona Ermesinda lá estava eu pronto para o sacrifício. De casaco de bombazina castanho claro, cor que jamais vesti, forrado com lã de ovelha, calças de terylene estilo boca-de-sino feitas por medida pelo senhor Adalberto, alfaiate em part time que caçava os fregueses no largo da aldeia aos domingos de manhã depois da missa. Nos pés calçava uns imponentes sapatos de tacão alto, a minha primeira manifestação histriónica, comprados na feira anual de Montemor-o-Velho, dois números acima, entupidos com papel de jornal para que o pé não dançasse demasiado. Lá estava eu imóvel a fazer de conta que ouvia o padre Daniel no seu indecifrável e aborrecido sermão. Assisti aquela provação domingos a fio! Depois veio o 25 de abril de 74 e os ventos foram-lhe desfavoráveis. Acabou expulso à forquilha por meia dúzia de comunistas de meia tigela lá da aldeia.
No lugar dele veio um padre cujo nome se me varreu da memória, lembro-me que usava uma prótese numa das pernas e viajava numa carripana de três rodas de habitáculo fechado. Não lhe achei a diferença e aqueles sermões continuavam com o mesmo espírito punitivo e castrador de sempre. Aquilo entrava por um ouvido a cem e a saia a duzentos pelo outro, pelo menos pensava eu! A única distracção verdadeiramente estimulante era a presença da Teté e da Bela, as raparigas mais bonitas da terra, pelas quais nutria o secreto desejo de me iniciar na arte dos amassos.
Um dia não houve missa! O padre capotou a carripana e ficou fechado de pernas para o ar, com a única porta trancada contra o asfalto. Saiu ileso. Foi uma felicidade. Para nós claro! Em menos de nada desaparecemos todos do adro da igreja, não fosse o gajo chegar a tempo.
Após o seu falecimento, anos mais tarde, veio um tal padre Gonçalves. Uma besta-quadrada que nos obrigava a estar em sentido durante a missa. Assumiu como primeira medida da sua gestão a proibição total de decotes e minissaias na igreja. Uma gestão danosa logo se vê!

Um dia, na festa anual em honra do nosso padroeiro, recusou celebrar a missa caso as mulheres da banda filarmónica teimassem em permanecer na igreja com aquelas minúsculas saias.

Como era possível ser tão estraga prazeres? Perguntava eu. O homem conseguiu acabar com a réstia de entusiasmo e instaurou de vez o seu discurso dogmático. Nós, ávidos de novas experiências, de novas descobertas, invadidos pelo formigueiro da adolescência, com os primeiros pelos a tentar furar a pele e levamos com um balde de água fria daqueles! Que tristeza.
A sexualidade foi a partir de então construída e vivenciada dentro de um forte aparato repressivo e castrador, sobre forte vigilância e influência dos dogmas e ensinamentos do padre Gonçalves, que atribuiu às práticas sexuais todos os males da humanidade, cumprindo aliás a velha tradição da sociedade judaico cristão. Para garantir que o pecado do prazer não se manifestaria ou se o fizessemos seria punido, o padre Gonçalves exigiu a confissão regular e pormenorizada, com o objectivo da punição e do doutrinamento, onde o menor desejo, o mais suave pensamento sexualizado, o gesto mesmo que subtil denotando algum prazer deveria ser por nós relatado e posterior firmemente punido.
Mas para grandes males grandes remédios e assim, atingido o ensino religioso obrigatório, pirei-me para nunca mais ser visto nas imediações. O padre Gonçalves parece que se reformou anos depois.
Regressei ocasionalmente, em épocas festivas, mas sempre de pé atrás, não fosse o padre Gonçalves reaparecer como um fantasma no cimo do altar, com as suas vestes brancas. A medo adoptei a atitude preventiva de me colocar discretamente junto à porta com um pé dentro e outro pronto a sair a qualquer momento caso o ambiente toldasse.
Desde há uns anos, noutra localidade, assisto ocasionalmente a alguns sermões do padre local. Ele tem tudo o que os outros tinham, mas em pior! Aquele discurso mórbido, negativo, culpabilizante e punitivo ganha agora uma profundidade nunca antes vista.
Vem isto a propósito de uma romaria que presenciei acidentalmente na província da Andaluzia, mais propriamente numa localidade chamava La Redondela, em honra da padroeira local.
Na procissão desfilavam mulheres, homens e crianças com trajes tradicionais da região. Algumas mulheres trajavam vestidos sevilhanos, longos brincos e flores no cabelo. Outras montavam cavalos, vestindo camisa branca, calças pretas justas, botas de couro e chapéus pretos. Os homens de camisa branca e calça preta de chapéu do mesmo género. Na mão homens e mulheres empunhavam garrafas e copos que bebiam debaixo daquele tórrido calor andaluz. No andor, transportado por uma parelha de cavalos, desfilava uma imponente imagem representando a santa protectora. O ambiente era notoriamente descontraído, festivo e as pessoas faziam questão de o não esconder.
Logo que recomecei a viajem veio-me à memória os tempos do velho padre Gonçalves e todas aquelas ideias com que nos formataram enquanto puderam. De repente pensei naquela romaria e estranhei algo. Faltava qualquer coisa naquele cenário. Aquela sensação arrastou-se ainda por um bom par de quilómetros, até que finalmente descobri – Faltava o padre! A procissão não tinha padre! Pensei! Os gajos livraram-se dele, não fosse o tipo proibi-los de beber e divertir-se durante a cerimónia!
Pensei naquela forma de expressar a fé e achei que a coisa podia funcionar. Senti-me contagiado por aquela alegria e sobretudo pela sensação de liberdade que aquele quadro inspirava.
Mas, uns quilómetros mais à frente, aquela sensação de bem-estar começou a dar lugar a uma progressiva inquietação  que desembocou num ténue sentimento de culpa.
Pensei, porra que merda ! Ah já sei… É o espirito do padre Gonçalves amartelar-me a consciência! Haja paciência!

sábado, 12 de maio de 2012

E Abril aqui tão perto...


Um português genuíno, além de coçar os tomates enquanto fala, cuspir no chão e deitar lixo pela janela do carro, tem ainda a particularidade de ser altamente sensível a três palavras, a saber: sexo, saldos e grátis. Cada uma destas palavras, ouvidas isoladamente ou agrupadas, entram por um gajo acima como foguetes, aceleram rumo à zona pré-história do cérebro e estampam-se contra os neurónios, despoletando uma explosão de irracionalidade, perdão de serotonina. Assim sendo, um gajo transforma-se num cavalo selvagem capaz de derrubar tudo o que nos apareça pela frente.
Foi assim no último 1º de Maio! Mal se ouviu falar na promoção de 50% do Pingo Doce, o mais pacífico dos mortais transformou-se rapidamente num híbrido metade homo sapiens metade australopiteco. E assim, qual guerreiro, selvagem, se apresentou na porta das lojas Pingo Doce pronto para o ataque.

Não admira pois que muitos tenham de lá saído com os queixos partidos pelo vizinho do bairro ou até mesmo do prédio. É compreensível. Lá porque até vivemos no mesmo bairro, jogamos cartas juntos e desabamos as injustiças da vida não significa que de vez enquando não se tenha de mostrar quem manda, principalmente quando nos tentam sacaniar com a última garrafa de whisky da prateleira! 
Os sindicatos coitados também ficaram a arder! Essa poderosa indústria sindical portuguesa dificilmente poderia imaginar um dia mais negro na sua história. A força mobilizadora dos sindicatos e dos trabalhadores, que no contexto actual tem sido quase nula, confrontou-se neste 1º de Maio com uma triste correria, não em direcção à luta, mas em direcção aos Pingo doce. O pior é que o pessoal depois de sair do Pingo Doce ficou em casa a comtemplar as pichinchas e cagou-se nas manifestaçõse do 1º de Maio!

Porra, logo num dia simbólico da luta dos trabalhadores, dia para celebrar as conquistas que os trabalhadores do mundo conseguiram após a industrialização, designadamente a jornada semanal das 40 horas de trabalho entre outros direitos e, transforma-se esta merda num espectáculo de consumismo, paradigma maior do capitalismo. É triste!
Para o ano apenas resta uma hipótese aos sindicatos, promover uma campanha que contenha as palavras sexo ou grátis. As duas juntas seria o ideal, que isto de lutar pelos nossos direitos poderia ser um pouco mais atractivo!

O capitalismo desregulado, esse ficou todo contente. Afinal percebeu que tem uma força tal que em dois sopros pulveriza os valores, as ideias e a réstia de romantismo Abrileiro que ainda habita em alguns de nós.

A crise também sorriu, entre outras coisas, esfrega as mãos por continuar a poder retirar direitos adquiridos e baixar os custos do trabalho em função de um capitalismo ávido de manter os seus níveis de lucro, independentemente do tempo que corre.

O grupo Jerónimo Martins, esse samaritano de Janeiro a Janeiro, também ficou contente. Afinal facturou 27 milhões e quem paga a promoção são os pobres dos produtores.
O que o grupo Jerónimo Martins nos comunicou neste último 1º de Maio foi que é omnipotente e poderoso face à insignificante força de um povo cada vez mais a pensar na barriga e menos nos ideais.
Omnipotente e poderoso face aos seus desprotegidos funcionários, a quem obriga a trabalhar. Omnipotente e poderoso face aos seus fornecedores, a quem obriga, sob coação, a suportar os custos de uma promoção decidida unilateralmente, numa cadeia comercial onde o grupo arrecada, em média, 50% do lucro sobre os produtos vendidos.

Omnipotente e poderoso porque protegido pelo um poder político fraco e promíscuo, incapaz de regular, impor limites ou proteger os valores essenciais de um país. Omnipotente e poderoso porque capaz de por à vista o pior de cada um de nós.

A campanha do Pingo doce é imoral pelo dia escolhido, demonstra por um lado o enorme poder de fogo deste capitalismo vigente e por outro que um povo amedrontado, com direitos e salários reduzidos, em risco de perder o emprego e em muitos casos no limiar da fome, torna-se acéfalo e abre mão facilmente dos seus valores, submetendo-se mansamente ao poder dos mais fortes.

O Pingo doce roubou o 1.º de Maio aos trabalhadores, aos sindicatos e à esquerda.

No dia do trabalhador em vez de, como é tradição, os telejornais abrirem com reportagens sobre a luta pelos direitos dos trabalhadores, abriram com estes a lutar pelo último pacote de donut´s na prateleira de um supermercado. Simbólico.
Prende-se ou mata-se o senhor Alexandre Soares? Não! Ele apenas navega nas águas calmas e com os ventos de feição deste capitalismo que os estados teimam em não regular!
Até quando?



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Porque hoje é Abril

Ontem, numa grande superfície comercial em Coimbra, testemunhei algo impensável há algum tempo! Uma mulher pediu um quarto de frango churrasco e batatas fritas no balcão da gastronomia. Ao receber a encomenda, olhou para o preço do frango e de olhos desesperados disse para a empregada – “Desculpe, o frango custa quase 2€! Não o posso levar. Levo só a batatas”

O Ostracismo foi decretado em Atenas no ano de 510 A.C. por Clístenes e foi posto em prática no ano 487 A.C. Era uma forma de punição que impunha a expulsão política e o exílio por um período de 10 anos aos políticos que houvessem proposto projectos e votações para benefício próprio ou que fossem, de alguma forma, perigosos para o interesse do estado. Os seus bens eram confiscados e o exilado, subtraído de todos os seus bens, tornava-se forasteiro.

O primeiro político punido com o ostracismo foi Hiparco e mais tarde os políticos Megacles e Jantipo, pai de Péricles. No ano 482 A.C. foi a vez de Aristides. Ao que parece o último punido foi o demagogo Hipérbolo no ano 417 A.C.

A votação era feita inicialmente pela assembleia de Atenas. Se a votação tinha como resultado voto favorável ao ostracismo então uma votação pública era feita dois meses mais tarde. Se o resultado final fosse confirmado o político tinha 10 dias para deixar a cidade. Poderia voltar depois de 10 anos ou se outra assembleia seguida de votação pública trouxesse perdão.

Em Atenas, o ostracismo contribuiu para a manutenção da república.

Estava aqui a pensar, nesta data comemorativa dos 38 anos de democracia em Portugal, num cenário hipotético - o que aconteceria a alguns dos mais importantes políticos portugueses caso o ostracismo tivesse sido praticado em Portugal?

José Sócrates por certo viveria em Paris, mas em vez estudar filosofia, trabalharia provavelmente na construção civil. No lugar de ter milhões em offshore teria que suar 12 por dia para não morrer de fome.

E Dias Loureiro? Será que o dono do actual maior resort da ilha do sal em Cabo verde manteria esse estatuto e privilegio? Ou andaria descalço à pesca da lagosta para vender a turistas?

O que aconteceria a Vítor Constâncio depois de em 2010, ano em que errou nas previsões macroeconómicas, acompanhou o Governo Português na negação da crise e falhou na regulação bancária, ao actuar tardiamente nos casos BPN e BPP, que custaram aos contribuintes portugueses um montante superior a 9.500 milhões de euros? Seria nomeado vice-presidente do Banco Central Europeu ou seria um competente faxina desse mesmo banco, servindo café aos senhores do dinheiro?

Cavaco Silva seria presidente da república ou operador de máquinas nas obras públicas de Angola, a construir auto-estradas, de que tanto gosta, com o seu amigo Jorge Coelho?
E Durão Barroso? O desertor! Manteria o actual estatuto ou seria condenado ao ostracismo por traição ao seu próprio país.

E os outros todos que lesaram o país em benefício próprio ou em nome de interesses instalados, com os quais tinham promiscuidades pecaminosas?

Mas não. Eles continuam por aí, titulares de todos os seus bens, direitos, benefícios e mordomias. Hoje sairão à rua com o cravo vermelho à lapela e gritarão viva Abril, viva a liberdade!

Amanhã a tal senhora voltará à grande superfície comercial e tentará inventar uma nova refeição?

Até quando vamos ser coniventes com esta democracia da treta?




segunda-feira, 23 de abril de 2012

Rota das adegas




Imagino o que terão pensado os outros 399 participantes, equipados com os seus modelos topo de gama, com travões a óleo e suspensões integrais, quando me viram chegar com a minha Delfina, bicicleta de marca branca, modelo de 2009 que comprei por 60€ num pacote que incluía ainda um capacete, uma t-shirt, duas sandes de torresmos e um sumo! Estriei-a à altura numa demorada viagem entre Miranda do Corvo e Coimbra, na qual ela com um pedal partido, me mandou fazer quase metade do caminho a pé. A coisa prometia portanto!
A primeira ameaça que recebi da organização e de outros concorrentes foi a de que em caso de furo ou avaria ninguém tinha uma peça sequer compatível com a minha maldita bicicleta. Não me amedrontei! Afinal o meu objectivo estava claramente definido.
Como os primeiros 25 quilómetros eram cronometrados, na partida, encostei-me estrategicamente à berma para deixar passar aqueles cavalos de corrida, não fossem eles abalroar-me e impedir-me de alcançar o objectivo.
A primeira vitima foi o meu amigo Pedro Monteiro, agora presidente do Turismo Centro de Portugal, quiçá mais habituado à pose fotográfica que ao todo o terreno, rapidamente se estatelou contra uma pedra, ferindo-se irremediavelmente num joelho, forçando-o a abandonar.
Ao longo desses terríveis primeiros 25 quilómetros fui ultrapassado por várioas dezenas de concorrentes, mas para regozijo meu, com a minha Delfina ainda segura de si, passei também por uns quantos com as suas máquinas furadas ou avariadas, o que criou em mim um sentimento contraditório, se por um lado não era o último, por outro deixou-me uma certa insegurança. Afinal se furasse no meio daquelas vinhas sem fim, a que hora chegaria ao objectivo – A bucha!
O primeiro abastecimento estava situado na aldeia da Pena. Com uma ementa variada que começava no bacalhau assado e continuava com cabidela de leitão, umas divinais iscas de fígado, porco no espeto, charcutaria assada diversa, etc, etc... No que concerne ao estado líquido contamos com a presença dos stands das empresas Quinta de Baixo, Sogrape – com o espumante Mateus rosé e a Quinta do Encontro. Decidi-me por umas iscas de fígado que confrontei com vinhos espumantes dos três produtores, salientando-se o bom nível de todos os vinhos, em especial a superior harmonia da Quinta de Baixo, que me encheu as medidas. Sublime!
Por mim ficava ali eternamente agarrada à isca e ao copo, mas tinha de partir! Esbocei um primeiro arranque em grande estilo mas eis que dou de caras com a miss Maxmen 2010, Barbara Brandão, madrinha da prova. Quase cai! Envergonhado abortei a descolagem, não fosse ela troçar e desdenhar da minha Delfina.
Quando cheguei a casa fui à net ver as fotos da Barbara Brandão, que não conhecia, e fiquei abismado como uma produção fotográfica pode transformar uma mulher bonita, sem dúvida, numa autêntica deusa! A verdade é que se também a minha Delfina fosse ao Photoshop, a coisa chiaria mais fino! Mas ninguém quer saber!
Condenado a ser o último, lá me quedei mais um pouco pelo espaço a beber mais uns flutes da Qta de Baixo enquanto aguardava que aquelas bestas de duas rodas partissem.
Mais 15 quilómetros de puro todo o terreno e todos os meus receios se confirmavam - a puta da bicicleta começava finalmente a ceder … o pedal voltou a portar-se mal! O mesmo! Com galhardia fiz-me à estrada apenas com um pedal e um objectivo na cabeça - chegar ao objectivo II – A bucha na aldeia da Póvoa da Lomba.
Aqui manteve-se a gastronomia regional mas mudaram os vinhos – desta vez marcavam presença as Caves Montanha, a Adega Coop de Cantanhede e o incontornável Mário Sérgio com a sua Quinta das Bageiras.
A apenas a alguns quilómetros da meta, descansados, eu e o meu amigo Décio Matias e mais uns quantos irredutíveis amigos por ali ficamos esquecidos a contemplar os prazeres do ananás com presunto e a pasta de queijo na broa sempre acompanhados pelo arrebatador espumante Quintas da Bageiras baga 2009. Edílico!
Os restantes cinco quilómetros foram pouco menos que tortura. Com a bicicleta toda partida e o corpo dorido e a roçar a bebedeira, arrastei-me até à meta e ao banho frio. Por especial cortesia do último fiquei em penúltimo!


Retemperados, seguimos para a Adega Cooperativa de Cantanhede, onde enfrentamos galhardamente o estaladiço leitão à bairrada massivamente regado com Marquês de Marialva espumante reserva 2009.


Esta rota das adegas é para repetir, mas para a próxima vou a pé que chego mais depressa!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Ideias de merda!


Desta vez corri o mini-trail de Almourol. Porque corro? Corro para não estar parado. Para não morrer de tédio! Corro porque sou um corredor e os corredores foram feitos para correr! Mas desta vez as pernas não foram na cantiga e simplesmente não quiseram correr. Arrastaram-se dessincronizadas. Órfãs de comando. O divórcio foi total!
Desta vez a cabeça saltitou vadia por outras serras. Nem os cús das gajas pareciam ser capazes de me animar! Pareciam-me deformados. Descaídos! Transfigurados pela minha mente enviesada. Um olhar inquinado!
Desta vez também nada de competição com o sexo oposto, que a minha amiga Vera, avalisada psicóloga clínica, disse-me, a propósito do texto “Enfim gajas”, que eu meti competição onde devia ter metido amor. Fiquei fodido. Com ela, claro!
Os vinte e cinco quilómetros da corrida de Almourol foram a prova do poder da mente humana. Só pensava em merdas! E como só pensava em merda, de tanto pensar meteu-se-me na cabeça que tinha de me livrar dela.
Devia, por conseguinte, cagar!
Convenci-me que só cagando teria aquela performance felina e elegante que me distingue como corredor! Aquilo era uma ordem e eu cumpro sempre uma ordem! Nos dez quilómetros seguintes a minha cabeça só parecia capaz de pensar em merda. Uma obsessão. Dez quilómetros iguais a tantos outros em que pensei nas PPP´s, nas EDP´s, nas Galp´s, nas Scut´s, no Sócrates e noutros finórios do género. Merda. Apenas merda! Do simbólico ao concreto.

Um homem sonha, a obra nasce.
A determinada altura tive que me lançar repentinamente para um canavial! Que mal tem? Outros cagam e mijam em lugares mais bizarros! E enquanto lá estava agachado ouvi passar dezenas de gajos. Lindo!
Nos restantes quilómetros, convencido que estava finalmente limpo, corri desalmadamente como um rapaz novo, até que me lembrei outra vez das pernas. Parei instantaneamente! Estanquei, com se alguém me tivesse desligado abruptamente da corrente. Pensei ainda em mais merdas. Merdas e mais merdas. Há dias assim. Há dias em que simplesmente um homem tem que fazer um esforço sobre-humano para rolar…
Finalmente, a maldita meta, enrolada em curvas e contracurvas sem fim como se estivesse escondida num novelo! A puta. Pouco depois mais uma desilusão. Encontrei uma gaja conhecida a poucos metros da meta e, enquanto a cumprimentava, fui ultrapassado por dois gajos. Fiquei em 102º lugar! Um dia para esquecer!
Depois de correr vinte e cinco quilómetros a pensar em merda, deprimi!
A organização deveria ter o bom senso de, em vez de marmelada, biscoitos, bananas e outras banalidades, ter colocado à minha disposição uma embalagem de Prozac ! Más organizações, é o que são!
Desesperado decidi embebedar-me! Outra desilusão. Não havia cerveja à borla como na prova anterior! Maldita crise que impede até um homem de se embebedar num dia para esquecer!
Já resignado, encontrei o meu amigo Álvaro Calado, psicólogo clínico. Por momentos pensei que a organização se lembrara de me arranjar um profissional de saúde, especialista em depressões pós corrida. Mas não, o meu velho companheiro vinha por conta propria! Apaziguei-me. E juntos comemoramos mais um reencontro! E um bom reencontro é tudo!


Aviso: Este texto é pura ficção, podendo no entanto estar aqui e acolá enriquecido por factos reais!

terça-feira, 20 de março de 2012

O mundo é dos psicopatas

Tenho o direito de gozar de teu corpo
(...) e exercerei esse direito, sem que
nenhum limite me detenha no capricho
das extorsões que me dê gosto de nele
saciar.

(Marquês de Sade; A filosofia
na alcova).








Aposto que já lhe passou pela cabeça que o seu chefe é um psicopata! Pois, fique a saber que a probabilidade de isso ser verdade é altíssima. Mas fique descansado, nem todos matam. Muitos sofrem apenas de uma forma branda de psicopatia. Mas nunca fiando!


O jornalista de investigação Jon Ronson, o mesmo que lançou o livro “Os Homens Que Matam Cabras Só com o Olhar”, uma investigação de Ronson a uma remota base militar, que deu origem ao filme com o mesmo nome, realizado por George Clooney, acaba de lançar "O Teste do Psicopata", no qual sustenta que os psicopatas constituem apenas 1% da população mundial, mas têm muito poder e influência, estando instalados nos mais altos cargos de decisão do planeta. O autor entra em contacto com psicopatas "clássicos", que cometeram cruéis assassinatos, mas investiga também outros - os que dirigem empresas ou estão à frente de governos. O livro exigiu dois anos de trabalho com entrevistas a psicólogos, psiquiatras, mas também presidiários, homens de negócios e Robert Hare, o homem que criou a lista de itens que define um psicopata.
Mas afinal o que é um psicopata? A psicopatia é um distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de carácter, ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de remorso e culpa para actos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições. Apesar da psicopatia ser muito mais frequente nos indivíduos do sexo masculino, também atinge as mulheres, embora com características diferenciadas e menos específicas que a psicopatia nos homens. A psicopatia é denominada cientificamente como transtorno de personalidade antissocial.
Embora alguns indivíduos com psicopatia mais branda não tenham tido um histórico traumático, o transtorno - principalmente nos casos mais graves, tais como sádicos e serial killers - parece estar associado à mistura de três principais factores:
· Disfunções cerebrais/biológicas ou traumas neurológicos,
· Predisposição genética
· Traumas sociopsicológicos na infância (ex, abuso emocional, sexual, físico, negligência, violência, conflitos e separação dos pais etc.).
Este último factor largamente retratado em filmes e nas séries americanas sobre mentes criminosas. Todo indivíduo antissocial possui, no mínimo, um desses componentes no histórico de sua vida, especialmente a influência genética. Mas nem todas as pessoas que sofreram algum tipo de abuso ou perda na infância irão tornar-se um psicopata sem ter uma certa influência genética ou distúrbio mental.
Façamos agora um exercício – tentemos imaginar um psicopata português. O tipo tem que obrigatoriamente ser sedutor, bem vestido, bem-falante, inteligente, tranquilo, pouco sincero e com desprezo pela verdade, impulsivo, manipulador, falta de remorso ou culpa, conduta anti-social, ou seja um certo desprezo pelas regras sociais, tipo recebe uns subornos…, pouca ou nenhuma auto-critica, egocêntrico patológico e incapacidade de amar, sentimentos superficiais, mentiroso, frio, para quem os fins justificam os meios. Já imaginou? Agora pense quem em Portugal mais se aproxima deste perfil. José Sócrates? Pois acertou!
Que outro português melhor representa a chico-espertice portuguesa e encarna este perfil psicopático? Um rapaz ambicioso, frequentador precoce dos aparelhos partidários, licenciado ao domingo, sem que ninguém nos tenha explicado como, dispensado de explicar o processo Freeport, apesar de ser à altura só o ministro do ambiente, que ajudou a empurrar Portugal para a miséria, que nunca declarou qualquer poupança e que agora vive, sem emprego conhecido, uma vida luxuosa em Paris?
E o que dizer desta justicinha portuguesa feita por e para chicos espertos?
De facto o estudo de Ronson chega à conclusão que os psicopatas ultrapassam facilmente as outras pessoas na corrida ao poder e que, por isso, controlam os centros de decisão.
Reparem na personalidade e comportamento de alguns líderes nacionais e mundiais, os actuais e os do passado, e facilmente constatarão a veracidade do estudo. Analisem bem os trajectos de algumas figuras nacionais como Duarte Lima, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Isaltino Morais, Armando Vara, Vale e Azevedo? Que lhes parece?
Agora para terminar um teste.
Uma rapariga, durante o funeral da sua mãe, conheceu um rapaz que nunca tinha visto antes.
Achou o rapaz tão maravilhoso que acreditou ser o homem da sua vida. Apaixonou-se por ele e começaram um namoro que durou uma semana.
Sem mais nem menos, o rapaz desapareceu e nunca mais foi visto. Dias depois a rapariga matou a própria irmã.
Questão: Por que motivo terá a rapariga assassinado a sua própria irmã???(Não desça até o final antes de ter pensado numaresposta!!!! !)


Resposta:
Ela matou porque esperava que o rapaz pudesse aparecer novamente no funeral de sua irmã.
Se você acertou a resposta, você pensa como um psicopata.




Esse é um famoso teste psicológico americano para reconhecer a mente de assassinos em série (Serial Killers). A maioria dos assassinos presos acertou a resposta. Para um psicopata os fins justificam os meios.